A imobiliária que nasceu de um “não” e transformou a recusa em estratégia para elevar o ticket médio

Após pedido de aumento salarial negado dar origem à Delta Imóveis em 1988, empresa de Uberlândia adota critérios de seleção, taxas diferenciadas e recusa a leilões de preço para focar na rentabilidade da carteira de locação.

Em 1988, Ismar Alves Oliveira, então gerente de locação, decidiu empreender após ter um pedido de reajuste salarial negado pelo proprietário da imobiliária onde trabalhava. A negativa marcou o início da Delta Imóveis, que, ao longo dos anos, expandiu sua atuação e hoje administra mais de 4 mil imóveis e fecha até 160 contratos de locação por mês. Sob a gestão da CEO Inara Oliveira, a empresa construiu sua trajetória em um mercado local sem exclusividade, adotando critérios para definir as condições de negociação, precificar os serviços e priorizar imóveis com maior potencial de rentabilidade. A história da imobiliária mostra como um não, que inicialmente representou um obstáculo, pode abrir caminho para novas oportunidades de negócio.

Origem na negativa profissional e a fundação do negócio

A história da imobiliária teve início quando o pai de Inara Oliveira, ex-bancário natural de Alagoas, atuava em uma imobiliária em Uberlândia e teve um pedido de aumento salarial recusado. Diante da resposta negativa, ele optou por desligar-se da instituição e abrir o próprio negócio do zero, sem migrar clientes ou imóveis da empresa anterior. 

Três anos após a abertura, Inara Oliveira ingressou na empresa, que contava na época com uma equipe de três pessoas. Com o passar dos anos, a operação estruturou seu setor de vendas, mantendo a locação como a principal fonte de receita.

A gestão do “não” como estratégia comercial e aumento de ticket

Em um mercado local composto por cerca de 800 mil habitantes e forte concorrência e concentração entre grandes imobiliárias, a atuação sem exclusividade exige eficiência no atendimento comercial. Para garantir rentabilidade, a Delta Imóveis migrou  da busca por volume de imóveis para uma seleção que prioriza tickets mais elevados

A administração do “não” ocorre de forma estruturada: quando um proprietário busca a imobiliária com um imóvel de menor valor, a empresa não o rejeita sumariamente, mas aplica critérios de taxas maiores para compensar o custo operacional. Ao mesmo tempo, contratos e clientes antigos da carteira mantêm as condições originais sem alteração de taxas. A empresa também estabeleceu a postura de não reduzir suas margens para cobrir ofertas da concorrência.

“Queremos  produtividade, rentabilidade e, por isso, começamos, lá na captação, a selecionar imóveis de maior ticket. Teve uma época que a cidade inteira trabalhava com leilão, mas nós chegamos num ponto em que podemos falar ‘não”: qualidade tem um preço e a gente não entra mais nessa”

A estratégia de segmentação estende-se ao processo de atendimento: em razão do volume mensal de cerca de 3.000 leads, imóveis de faixas superiores e comerciais recebem acompanhamento presencial obrigatório nas visitas, enquanto imóveis de menor ticket seguem fluxos operacionais ajustados para preservar a escala do negócio.

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