Os questionamentos no mercado de locação de imóveis estão se intensificando. Por trás disso está o avanço no uso da inteligência artificial (IA) por inquilinos, que tratam a tecnologia como uma espécie de “consultor jurídico” na análise de contratos. Para auxiliar gestores em sua adaptação para este cenário, o Imobi Report foi a campo e identificou exemplos de ações aplicáveis à operação de aluguel.
O diretor comercial na imobiliária Locativa de Criciúma (SC), Caco Manique, percebe um aumento nos questionamentos efetuados pelos inquilinos em relação às cláusulas dos contratos de locação residencial. Essa intensificação é notada tanto na entrega das chaves, quanto na desocupação do imóvel. Caco entende que esses questionamentos sobre termos contratuais e exigências legais são claramente motivados pelo uso de IA. O uso dessas ferramentas é percebido pelo tom e pela estrutura padronizada das dúvidas apresentadas, que reproduzem termos técnicos e interpretações da Lei do Inquilinato. “Os locatários anexam contratos nas plataformas para analisar minutas e buscar aconselhamento jurídico”, Caco revela.
As divergências levadas pelos inquilinos à Locativa concentram-se na cobrança do IPTU e na exigência de devolução do imóvel com pintura nova. No caso do tributo municipal, os locatários contestam a cobrança alegando que a Lei do Inquilinato atribui a responsabilidade ao proprietário, desconsiderando a exceção legal que, mediante cláusula expressa no contrato, autoriza a transferência do pagamento para o inquilino. Em relação à pintura, as objeções ocorrem na desocupação, para contestar a necessidade de restauração, quando são utilizadas teses de desgaste natural pelo uso ou pela ação do tempo. “O objetivo desses questionamentos inclui tentativas de reduzir percentuais de multas, alterar garantias ou negociar obrigações”, Caco comenta.
Lidando com inquilinos mais questionadores
Os questionamentos dos inquilinos impactam a operação da Locativa ao aumentar o tempo de vacância do imóvel, devido ao impasse nas vistorias de saída. Para mitigar os atritos e evitar o retrabalho entre os setores internos, a imobiliária elaborou um manual de boas práticas. O documento orienta a equipe sobre os pontos mais questionados pelas ferramentas digitais. Além disso, há uma reunião presencial, no momento da entrega das chaves, na qual a imobiliária apresenta ao locatário um roteiro explicativo sobre prazos, vistorias, garantias e o rateio proporcional de encargos antes do início do contrato. Adicionalmente, a imobiliária se mantém firme na exigência de pintura nova na rescisão, preservando o padrão de qualidade dos imóveis. Com essas medidas, a Locativa resolve as controvérsias na esfera administrativa, sem recorrer a disputas judiciais. “Nossa cobrança se apoia no laudo inicial e no contrato, que estabelecem a obrigação de devolução do espaço nas mesmas condições de conservação em que foi entregue”, Caco informa.
Caco ainda frisa a importância da escuta ativa e da aproximação humana na mediação dos contratos. Na visão do executivo, embora a IA deva ser integrada às operações para otimizar rotinas administrativas, a tecnologia não pode criar barreiras no relacionamento, nem afastar a imobiliária dos clientes. Caco enfatiza que a resolução de conflitos, especialmente durante a etapa de desocupação do imóvel, exige que os profissionais atuem como negociadores, dispostos a compreender as reais motivações e demandas das partes envolvidas. “Ao ouvir o cliente e buscar soluções amigáveis nos momentos de divergência, conseguimos superar impasses operacionais e evitar o desgaste de litígios desnecessários”, Caco aconselha.
Caco Manique estará no CUPOLA Aluguel Day, representando a Locativa como imobiliária case no painel “Como vencer a locação direta? Desafios e caminhos para driblar o maior concorrente da intermediação imobiliária”. O conteúdo será mediado pelo editor-chefe do Imobi Report, Michel Prado; e pelo fundador e CEO do Upstate, Matheus Pena. O evento acontece no dia 30 de setembro, em Curitiba (PR). Garanta sua participação agora mesmo com o desconto de 10% do Imobi Report.
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