Com o Passaporte do Inquilino, a IMOBACK propõe que o histórico de quem aluga bem passe a circular entre imobiliárias, CRMs e ERPs, com cadastro voluntário e controle do próprio consumidor.
Quem paga o aluguel em dia, cuida do imóvel e cumpre o contrato durante anos constrói uma reputação. Na hora de mudar, essa reputação costuma ficar para trás: novo cadastro, novos documentos, nova análise, nova garantia, novo custo.
Para a imobiliária, o problema é o mesmo visto do outro lado. Ela analisa um candidato sem enxergar o que ele já fez em contratos anteriores, e o bom histórico de uma administradora não chega à próxima.
É esse ponto que a IMOBACK, empresa de tecnologia fundada em São Luís (MA) por Flávio Ferratto, quer resolver com o Passaporte do Inquilino: um registro verificável das relações de locação que acompanha a pessoa quando muda o endereço, a imobiliária ou o software de gestão.
Por que o inquilino vai querer entrar
O cadastro é voluntário. A pessoa decide participar, e a LGPD exige exatamente isso: finalidade clara, transparência sobre o uso dos dados e direitos que o titular pode exercer.
O incentivo é concreto. Quem tem anos de pagamentos em dia passa a poder demonstrar isso de forma organizada, e esse histórico pode contribuir para menos burocracia na contratação e para melhores condições em garantias e seguros locatícios, conforme os critérios de cada seguradora e garantidora.
O Passaporte não cria nota nem score. Ele registra fatos (contratos, pagamentos, regularizações, renovações e encerramentos), e quem analisa são os participantes autorizados do ecossistema.
Quem vive de aluguel paga caro por não ter como provar que é bom pagador. Um produto que transforma comportamento em vantagem dá ao inquilino um motivo real para se cadastrar. E quanto mais inquilinos entram, mais útil a base se torna para o mercado.
O ganho está na imobiliária
Para a imobiliária, o valor está em decidir com mais informação e gastar menos tempo no caminho: análises mais qualificadas, menos retrabalho, um processo de contratação mais fluido e um cliente que chega com histórico comprovável.
A IMOBACK não pretende substituir a imobiliária nem o sistema que ela já usa. A proposta é funcionar como infraestrutura complementar, conectada às ferramentas do mercado. A imobiliária mantém a relação com o cliente, o processo comercial e o software de gestão, e ganha uma camada adicional de informação.
Para desenvolvedores de ERPs, CRMs e outras plataformas imobiliárias, a oportunidade é incorporar o Passaporte como funcionalidade dos próprios produtos. O primeiro passo já foi dado com a Jetimob, de Santa Maria (RS), cuja integração com a IMOBACK inaugura um ecossistema de sistemas conectados.
O que muda para cada participante
QuemPor que importaO que precisa acontecerInquilinoPassa a poder demonstrar anos de pagamentos em dia. Esse histórico pode reduzir burocracia e contribuir para melhores condições em seguros e garantias, conforme os critérios de cada empresa.Cadastro voluntário, com transparência sobre o uso dos dados.ImobiliáriaDecide com mais informação, reduz retrabalho e melhora a experiência de contratação, sem trocar de sistema.Registros de qualidade e integração com as ferramentas que já usa.CRMs e ERPsPodem incorporar o Passaporte como funcionalidade dos próprios produtos, dentro de um ecossistema conectado.Integração técnica (a Jetimob foi a primeira) e regras claras de compartilhamento.
A inspiração é o Open Finance, com um limite claro
Ferratto traz do setor bancário a referência do Open Finance, em que instituições diferentes compartilham dados sob regras definidas. Na locação, a ideia é aplicar o princípio da interoperabilidade para que o histórico de um inquilino não fique preso a uma única imobiliária ou plataforma.
A comparação é conceitual e tecnológica. O mercado locatício brasileiro não tem hoje uma estrutura regulatória equivalente à do Open Finance. Construir essa infraestrutura exige qualidade dos registros, segurança da informação, transparência e mecanismos para o consumidor exercer seus direitos.
O que o Passaporte é e o que não é
PontoComo funcionaRegistroGuarda fatos verificáveis: contratos, pagamentos, regularizações, renovações e encerramentos.Nota ou scoreNão atribui. A análise fica com os participantes autorizados.Relação com as imobiliáriasComplementa os sistemas atuais, não os substitui.Open FinanceInspiração conceitual e tecnológica, sem estrutura regulatória equivalente na locação hoje.Participação do consumidorVoluntária, com direitos garantidos pela LGPD.
O que falta para isso virar rotina
O desafio agora é de escala: mais imobiliárias e mais plataformas conectadas, e mais inquilinos dispostos a construir seu histórico. É a integração entre esses três grupos que transforma informação fragmentada em benefício concreto.
Se o histórico de um consumidor ajuda a conseguir melhores condições de crédito, por que quem aluga bem deveria recomeçar do zero a cada mudança?
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