Restrições do Airbnb impulsionam empreendimentos exclusivos para shortstay

O curioso caso do sanduíche imobiliário. De um lado, o alto padrão está vendendo com recordes de preço. Do outro lado, o MCMV também está vendendo. Mas, no meio, o cenário muda: juros altos encarecem o crédito, a capacidade de compra diminui e a decisão demora mais. Nesse contexto, estar perto de quem está fazendo diferente, entender o que os extremos estão fazendo e o que pode ser adaptado ficou ainda mais importante. De 15 a 17 de junho, em São Paulo (SP), líderes que movimentaram mais de R$ 20 bilhões em VGV vão se reunir no Imersão CUPOLA Lançamentos. Garanta sua participação,  92% das vagas já foram preenchidas.

Com o aumento das restrições para locações de curta temporada, investidores  passam a comprar apartamentos em prédios projetados exclusivamente para a modalidade shortstay. Para atender a essa demanda, incorporadoras estruturam empreendimentos com convenções de condomínio específicas para a alta rotatividade, incluindo parcerias com gestoras profissionais de locação e características comuns ao setor hoteleiro. As unidades ofertadas costumam ser de pequeno porte, totalmente mobiliadas e equipadas; em edifícios com lavanderias coletivas, portarias com sistemas de biometria automatizada para check-in e armários para bagagens. (Folha)

Para o fundador e estrategista-chefe da CUPOLA, Rodrigo Werneck, a dinâmica de mercado atual  tem a característica de tensionar ao máximo a relação com as leis e depois recuar para uma estabilidade, como o que está acontecendo nas locações por temporada. Assim, quem agiu com precaução é beneficiado e continua a usufruir das vantagens deste mercado. Rodrigo também aponta para uma mudança no perfil de quem atuava no aluguel de curta permanência. Segundo ele, a pandemia paralisou os investimentos do setor hoteleiro e foi o que levou as pessoas a investirem em apartamentos de pequeno porte para shortstay.

O avanço das locações de curta temporada gerou um conjunto de impasses, econômicos, sociais e regulatórios. Em resposta aos conflitos decorrentes da alta rotatividade, o STJ consolidou o entendimento de que a exploração de shortstay por plataformas digitais descaracteriza a destinação residencial de um edifício, passando a exigir o aval de dois terços dos condôminos para a sua autorização na convenção do condomínio.

A modalidade  também impulsiona o encarecimento dos aluguéis convencionais de longo prazo nas grandes cidades e polos turísticos porque reduz a oferta de moradias disponíveis para residentes locais, uma vez que investidores direcionam múltiplas unidades para o turismo em busca de maior rentabilidade por diária. Esse padrão é evidenciado na cidade do Rio de Janeiro, onde 55% dos anúncios na cidade, ou cerca de 23 mil imóveis, são de anfitriões com múltiplos apartamentos. O principal gestor na capital fluminense, sozinho, lista 232 propriedades na plataforma.

Em resposta às polêmicas envolvendo o shortstay, o CEO do Airbnb, Brian Chesky, manifestou-se formalmente sobre as pressões regulatórias e os impactos habitacionais da plataforma, defendendo a adoção de regras localizadas e sensatas em vez de restrições burocráticas generalizadas. Em relação ao encarecimento dos aluguéis convencionais nas grandes cidades e polos turísticos, o executivo admitiu publicamente que a plataforma pode representar um problema em localidades com crises severas de acessibilidade à moradia, endossando limites de diárias ou vedações para unidades dedicadas exclusivamente ao turismo. (Folha)

Vendas e Locação

Endividamento recorde pode reduzir contratos de locação. A inadimplência no aluguel registrou sua segunda queda consecutiva em abril, atingindo 3,18%, o menor patamar dos últimos 12 meses, segundo o Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica. O dado positivo, no entanto, contrasta com o recorde de 83,3 milhões de brasileiros negativados, segundo o Serasa. Em artigo para o Imobi Report, o diretor de consultoria da CUPOLA, Dioner Segala, observa que quanto maior o volume de negativados no país, menor o percentual de candidatos aprovados nas análises de crédito. No entanto, a redução no número de contratos fechados impacta na geração de receita e até mesmo na produtividade do time comercial. Leia a análise completa e orientada à tomada de decisão no nosso portal. (Imobi Report)

Imobiliária recruta corretores com cabeça de empresário. A imobiliária RE/MAX PATER, de Brasília (DF), adota um modelo operacional que eliminou cargos de gerência comercial para promover a autonomia de sua equipe. No podcast Modo Avião desta semana, a CEO, Rachel Pena, revela que a empresa passou a selecionar e priorizar profissionais com histórico de empreendedorismo, incluindo indivíduos que já faliram ou fecharam negócios no passado, devido à resiliência exigida para lidar com a instabilidade financeira e a rejeição no setor. O processo seletivo visa formar corretores com perfil de sócios e agentes independentes, responsáveis pela própria carteira e gestão comercial, substituindo a estrutura de liderança tradicional pelo acompanhamento direto dos proprietários e por treinamentos contínuos de alinhamento cultural. Confira o episódio pelo Youtube ou Spotify, leia a matéria e avalie o podcast. (Imobi Report).

CredAluga lança a plataforma “Do Seu Jeito”. O conjunto de soluções permite que imobiliárias personalizarem coberturas, taxas e comissões de garantias locatícias conforme o perfil de seus clientes. Visando aumentar a rentabilidade e flexibilidade do setor, a novidade expande o limite máximo de aluguel elegível de R$ 15 mil para R$ 25 mil e adota uma precificação dinâmica. Entre os novos recursos estão o CredReembolsa, com taxas mensais a partir de 6% e opção de cashback, o modelo tradicional a partir de 8% ao mês, o CredPintura para cobrir a pintura interna na desocupação e o CredPoupa para despesas extras. (Imobi Report)

Metade dos brasileiros quer comprar imóveis. No 1º tri de 2026, 49% dos brasileiros reportaram a intenção de comprar um imóvel nos próximos 24 meses. O otimismo é sustentado por indicadores como a taxa de desemprego em um mínimo histórico de 6,1% e o rendimento médio mensal da população atingindo R$ 3,3 mil em 2025, o maior valor já registrado pela Pnad Contínua. 47% dos entrevistados têm preferência por casas de rua. Os apartamentos aparecem em seguida, com 35%, enquanto 14% demonstraram preferência por casas em condomínio fechado. Terrenos em loteamentos ou condomínios somaram 4%. Segundo o estudo, 83% dos entrevistados querem comprar um imóvel para morar, enquanto 13% buscam uma segunda residência voltada ao lazer e 9% pretendem comprar para fins comerciais. Sair do aluguel aparece como a principal motivação de compra, mencionada por 38% dos interessados. (Exame)

Construção e Incorporação

Lançamentos caem 4,9% e vendas crescem 4,1% no 1º tri. No período, as vendas somaram 110 mil, enquanto os lançamentos totalizaram 97 mil. O programa MCMV foi o grande motor das vendas, com uma alta de 10% e respondendo por 49% do total comercializado. A queda nos lançamentos, segundo a Cbic, pode ser explicada por um represamento estratégico de projetos por parte das incorporadoras, que aguardavam a entrada em vigor dos novos tetos de renda e valor dos imóveis do MCMV, oficializados no final de abril, para lançar produtos já enquadrados nas regras mais vantajosas. (Valor Econômico)

Financiamento com recursos da poupança cresce 35% em abril. O valor atingido foi de R$ 16,9 bilhões, o maior volume para um mês de abril na série histórica da Abecip. Ao todo, 55,5 mil imóveis foram financiados, uma alta anual de 54,4%. O desempenho foi sustentado pela primeira captação líquida positiva do ano nas cadernetas de poupança, que registraram um saldo de R$ 499 milhões, reforçando a SBPE como a principal fonte de recursos para o crédito imobiliário no país. (Valor Econômico)

Mas o crédito imobiliário pode enfrentar uma “reversão acentuada” no 2º tri. Essa é a previsão dos próprios bancos em pesquisa do Banco Central. A melhora no 1º tri foi impulsionada pela busca das instituições por novos clientes e pela resiliência do mercado de trabalho. No entanto, os bancos já apontam para a deterioração de indicadores de risco, como o comprometimento da renda familiar e a própria tolerância ao risco das instituições financeiras, sinalizando que as condições de financiamento podem se tornar mais restritivas nos próximos meses. (Exame)

Investimento em terrenos depende de fé no futuro (Folha)

CBIC alerta para risco de alta de custos e atrasos em obras com fim da 6×1 (Exame)

Morre Carlos Gomes de Almeida, que originou a Gafisa (Valor Econômico)

Techs

Os dados imobiliários e a nova era da tomada de decisão. Embora as empresas invistam em tecnologia e acumulem um volume de dados sem precedentes sobre leads, conversões e performance de corretores, a tomada de decisão de muitos gestores continua sendo baseada na intuição. Em artigo para o Imobi Report, o CEO na Jetimob, Victorio Venturini, aponta que essa lacuna entre a adoção de ferramentas como CRMs e a falta de uma cultura de análise de dados representa um dos maiores gargalos do setor. Enquanto os sistemas apontam com precisão os problemas no funil de vendas, muitas equipes operam sem clareza de onde estão perdendo negócios. Empresas que já superaram essa fase e transformaram dados em estratégia estão se tornando mais competitivas, conseguindo reduzir o custo por lead e aumentar a taxa de conversão da carteira. (Imobi Report)

Pilar lança TikTok para imóveis. A proptech focada no mercado de alto padrão lançou uma funcionalidade em seu marketplace PilarHomes, replicando a experiência da rede social para a busca de imóveis. A ferramenta, chamada Shorts, exibe um feed de vídeos curtos e verticais produzidos pelos próprios corretores, que assumem o papel de criadores de conteúdo. A iniciativa busca tornar a jornada de compra mais dinâmica e já apresenta resultados expressivos. A taxa de conversão entre usuários que interagiram com os vídeos foi de 2,3%, contra 0,48% dos demais. O tempo médio na plataforma saltou de 2,1 para 7,9 minutos, e o número de imóveis visualizados por sessão subiu de 2,35 para 12,55. (Folha)

Mundo

Os efeitos da crise imobiliária da China. A incorporadora China SCE Group Holdings Limited projetou um prejuízo líquido entre 1 bilhão e 1,2 bilhão de yuans (cerca de US$ 140 milhões a US$ 170 milhões) para o primeiro semestre. A companhia atribuiu o resultado negativo à contínua queda na demanda do mercado, que resultou em menor volume de entregas e preços de venda mais baixos, comprimindo as margens de lucro e forçando uma reavaliação para baixo do valor de suas propriedades de investimento. (Estadão)

Compra de imóveis na Espanha pode render visto a brasileiros. Com o fim do programa “Golden Visa” de Portugal para investimentos imobiliários, que atraiu € 6,2 bilhões para o setor desde 2012 e concedeu 1,2 mil vistos para brasileiros, os investidores internacionais estão se voltando para a Espanha. O programa espanhol oferece um caminho semelhante para a obtenção de residência na União Europeia através da aquisição de imóveis com valor mínimo de € 500 mil. A mudança de Portugal, implementada para combater a especulação imobiliária, posiciona a Espanha como o principal destino para brasileiros e outros estrangeiros que buscam aliar um investimento imobiliário à cidadania europeia. (Estadão)

Estamos de olho

Herdeiros da alta renda podem trocar imóveis por FIIs. Famílias de alta renda e family offices no Brasil vêm avaliando a troca de patrimônios imobiliários físicos por cotas de fundos imobiliários para fins de planejamento sucessório. O movimento é impulsionado pela atual reforma tributária e por uma mudança geracional. Essa reorganização patrimonial foi exemplificada pela recente venda de um galpão por uma empresa familiar paulista, que converteu o valor em cotas destinadas aos cônjuges e descendentes. A estratégia visa reduzir a complexidade operacional da administração direta de bens e antecipar-se ao risco de aumento na taxação de dividendos. (InfoMoney)

O silêncio como diferencial no mercado imobiliário. Na opinião do CEO da Brain, Fábio Tadeu Araújo, o conceito de luxo no mercado imobiliário urbano está se redefinindo, com o silêncio emergindo como um dos atributos mais valiosos. Essa tendência vai além da ausência de poluição sonora e abrange um “silêncio emocional”, a possibilidade de se desconectar do excesso de estímulos, da pressão por produtividade e do ruído digital da vida moderna. Em cidades cada vez mais intensas e barulhentas em todas as camadas, a capacidade de um imóvel oferecer um refúgio de tranquilidade e paz está se tornando um novo e sofisticado padrão de alto padrão, valorizado por quem busca qualidade de vida. (Exame)

Corretora revela que ex-presidente do BRB teria exigido quadra de tênis (Estadão)

´Seguros habitacional e residencial crescem quase 10% no 1º tri (O Globo)

Agenda

O tempo está acabando. 92% das vagas para a Imersão CUPOLA Lançamentos foram preenchidas. O treinamento ocorre de 15 a 17 de junho em São Paulo, SP. Garanta sua participação.

JetExperience 2026. O evento reúne corretores e gestores do mercado imobiliário nos dias 3 e 4 de setembro, em Porto Alegre (RS), para conteúdos estratégicos sobre vendas, locação e gestão imobiliária. Adquira seu ingresso.

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